Para conhecimento dos nossos sócios, transcreve-se um artigo de opinião sobre a Escola de Futebol do nosso Clube, publicado no jornal Notícias da Manhã, Caderno Parque das Nações, edição de 18 de Janeiro de 2008.

“Como ainda agora terminou a quadra natalícia, sempre muito dada as histórias com crianças ou para crianças, julgo que não me levarão a mal por também eu vos contar uma história. Mas, contrariamente ao que acontece nas histórias de Natal, o final desta poderá não ser feliz.

E como todas as histórias, também a que vos vou contar começará por … era uma vez muitos meninos e algumas meninas – um total de 170 -, na sua maioria do Parque das Nações, que por volta do ainda recente ano de 2006, se inscreveram na Escola de Futebol do Clube Parque das Nações, instituição sem fins lucrativos, vocacionada para o fomento da cultura e do desporto.

A uni-los, o gosto pela prática desportiva, muito especialmente o futebol.

No primeiro dia, uma manhã chuvosa de Abril de 2006, responderam à “convocatória” do Clube apenas dois jovens e irmãos.

À falta de outro espaço, o local de concentração da “equipa” foi o Parque do Tejo – junto ao Parque Infantil do Gil – e aí foram dados os primeiros “toques na bola” por esses dois “craques” que a chuva não assustou.

E nas semanas seguintes outros se lhe juntaram, num crescendo que, rapidamente, ultrapassou a centena.

O entusiasmo no “balneário” era tão grande que levou a Direcção do Clube a organizar o I Primeiro Torneio de Futebol Juvenil do Parque das Nações, no dia 21 de Maio, por altura da comemoração da abertura da Expo’98, que com contou com a participação de 30 equipas, em que se incluíam algumas ligadas a grandes clubes.

Meteram-se “cunhas” para que se conseguissem equipamentos feitos a tempo do “grande evento” e com a cor dos oceanos, que serviram de tema à Expo’98.

Pediram-se balizas, bolas, marcadores de campo … à Câmara Lisboa.. Improvisaram-se árbitros e Campos no Parque do Tejo.

Houve distribuição de lanches, muita música e até uma classe juvenil de dança do Colégio S. Miguel Arcanjo, veio brindar os nossos meninos e meninas com suas danças modernas e alegres.

A ocasião era de festa e os nossos meninos e meninas não cabiam em si de contentes dentro dos novos equipamentos, com os quais posavam para as objectivas das câmaras de vídeo e de fotografia, sentindo-se já na pele dos grandes “craques”.

Apesar da precariedade das condições, o torneio foi um sucesso!

Apoiados pelos “Misteres”, os nossos jovens tiveram um desempenho que logo deu nas vistas e lhes permitiu conquistar as primeiras taças.

Os convites para participarem em torneios sucederam-se, alguns deles vindos, mesmo, de longe: Grândola, Porto e até Benidorm (Espanha).
Disputaram, igualmente, a Sport Zone Kid’s Cup, tendo sido apurados para a final, que se realizou no Porto, onde actuaram com brilhantismo.

Tornou-se, então, necessário dar aos nossos meninos e meninas condições mais adequadas ao desenvolvimento deste sonho. Logo se procurou arranjar um espaço adequado à prática do futebol, duma forma “mais profissional”, tanto mais que, no inverno, o relvado do Parque do Tejo, com a chuva ficava empapado e as condições de luz também não eram adequadas. Tarefa difícil esta no Parque das Nações!

O único Campo de Futebol existente, na altura, no Parque das Nações, era propriedade da Parque Expo e, veio a saber-se, estava cedido ao Clube Desportivo dos Olivais e Moscavide.

Previa-se, também, a curto prazo, a construção de um outro Campo, em pleno Parque do Tejo, em terreno alienado pela Parque Expo a uma Escola de Ténis. Campo este que, de resto, não estava previsto no Plano de Urbanização, mas cuja construção viria a ser autorizada para, alegadamente, viabilizar o complexo desportivo do ténis.

Feitos os contactos com ambas as entidades, a Escola de Ténis Jaime Caldeira, respondeu que, “obviamente, não iria fazer qualquer parceria com um Clube de bairro”; o Clube Desportivo dos Olivais e Moscavide (CDOM), embora com alguma relutância, alugou o Campo para a época desportiva de 2006/2007, cobrando verbas pouco razoáveis – diria mesmo inaceitáveis -, tanto mais que nada pagava à Parque Expo pela sua utilização.

Não havia alternativa, foram aceites as condições do CDOM e muitos dos nossos meninos e meninas sonharam, quem sabe, puderem um dia vir a ser “craques”!

De então para cá, diversas propostas têm sido apresentadas à Parque Expo, para que os nossos meninos e meninas possam vir a ter um Campo com as condições adequadas, nomeadamente, a recuperação daquele onde têm jogado e que se encontra, vergonhosamente, degradado.

Efectivamente, além daquele Campo, existem outras parcelas de terreno destinadas a equipamentos desportivos e quem mobilize os meios financeiros para a sua construção. Até existem propostas de projectos. Tem faltado, apenas, a vontade da Parque Expo para as viabilizar.

As soluções existem e, a concretizarem-se, trarão uma mais-valia para o Parque das Nações, sem quaisquer encargos financeiros para a Parque Expo e, mesmo, para as Câmaras Municipais.

Entretanto, na véspera de Natal, os nossos meninos e meninas, tiveram como prenda a suspensão das aulas de futebol, em consequência duma avaria do sistema de iluminação, decorrente do elevado estado de degradação do Campo.

Apesar de haver disponibilidade do Clube para custear a reparação da avaria, a mesma persiste, já que a autorização para o efeito não lhe foi dada até esta data.

Compreensivelmente, a alegria e o entusiasmo cederam lugar à tristeza e ao desânimo.

E logo numa quadra em que a solidariedade é celebrada!

O futuro deste bonito projecto está, pois, seriamente comprometido, não sendo fácil explicar aos nossos meninos e meninas, as razões pelas quais estão impossibilitadas de fazer uma coisa de tanto gostam: jogar futebol numa equipa que eles próprios construíram.

Esta é, pois, uma história que eu comecei a escrever mas cujo final só poderá ser escrito pelo Senhor Presidente da Parque Expo.

Daí que termine com o seguinte apelo:

Senhor Dr. Rolando Borges Martins, em nome destes meninos e meninas, penhoradamente, lhe peço que escreva um final feliz.

Só assim a minha e, a partir daqui, sua história será uma verdadeira história de Natal!

Parque das Nações, Janeiro de 2008

José Manuel Moreno
Presidente da AMCPN -Associação de Moradores e Comerciantes do Parque das Nações”