Um ato de registo permite tornar de forma indelével a história. A história permite o relato da realidade e permite também a análise sobre o sucedido e sobre o papel dos seus intervenientes.

Vem isto a propósito do lançamento do livro “Parque das Nações uma Freguesia a Oriente, Contributos para a Sua História”de José Rodrigues Moreno. O autor, possibilita-nos com esta sua obra, aceder ao relato documentado no tempo sobre a ainda curta, mas já rica, história da Freguesia do Parque das Nações. E digo sua obra com duplo significado, pois sendo este livro por ele compilado, tem por base a outra sua obra desenvolvida desde 1998 até aos nossos dias, desde a associação de moradores até ás eleições para a Junta de freguesia.

E porque se trata de um relato contado na primeira pessoa e baseado em acontecimentos documentados, tal como o algodão, não engana. Diria até que permite aos que não tenham conhecimento do passado recente da freguesia e sua génese, ficar a conhecê-lo bem como ficar a saber o quê, como, quando, porquê, para quê e por quem aqui chegamos, nós, que aqui vivemos habitando, visitando ou trabalhando, novos e menos novos, homens e mulheres, nacionais e estrangeiros. Porque é fácil criar conceitos diferentes da verdade, pelo que se leia ou escute, convido à sua leitura.

Capa livro 2

José Moreno, para além da garra que sempre colocou na sua luta pela freguesia, teve a sensibilidade de percepcionar o futuro, quando ainda todos estávamos deslumbrados com a Expo 98, misturando a sua determinação com o conceito de génese da Cidade Imaginada e permitindo assim alcançar identidade própria para uma freguesia, que nunca é demais relembrar, pouco mais era nessa altura, que uma área ocupada com lixeira, resíduos, depósitos de sucatas, matador e petroquímica, em pouco ou nada acompanhada pelas três juntas de freguesia e pelas duas câmaras municipais que à data tutelavam o território.

Entender um projeto desta envergadura, com as consequências na história da cidade, capital de um país europeu, com as entidades envolvidas, privadas, públicas e público-privadas, com todos os processos decorrentes, como o desvinculo da Parque Expo SA, a criação de uma freguesia una e nova é sinónimo de coragem, responsabilidade e determinação que só pode cumprir-se sendo alavancado num sentido de missão ao bem público.

A história das nações tem destas coisas, não é propriamente por acaso que, na sequência do processo da comunidade europeia, numa altura em que a ecologia estava a tomar mais visibilidade, onde se incluem indissociávelmente os oceanos e a reforma administrativa estava na ordem do dia, surgia alguém que, de forma independente, revelava o caminho inovador para a nova freguesia e uma nova gestão autárquica. E porque a história não é efémera, que ninguém lhe atribua caducidade interpretando erradamente processos, só pelo desejo ambicioso de poder.

Ás gentes o que é das gentes. A nós.

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