Ainda o executivo da JFPN não estava em funções, já um grupo de moradores com interesse em defesa de uma estratégica para a Mobilidade fundamentada no principio das boas práticas já largamente implementadas ao nível internacional. Trabalhava com o objetivo de estabelecer linhas orientadoras com uma certeza inquestionável:
O espaço público é de todos e para todos.
Definiram-se linhas orientadoras com o objetivo de trabalhar todo o território de uma forma integrada e nunca em ações avulsas sem fio condutor coerente. Temos, neste território, todas as condições para que um sistema integrado de transportes ofereça à população um serviço de excelência. Faltam cerzir pequenas lacunas existentes entre os vários modos e criar todas as condições para que a escolha entre eles seja possível.

Partindo destes princípios foi elaborado um diagnóstico exaustivo acerca do funcionamento da mobilidade e estacionamento na freguesia. Foram estabelecidas medidas interventivas entendendo-se como imperativo garantir a segurança de quem aqui reside, trabalha ou visita.

O diagnóstico apontava para um cenário muito preocupante ao nível da segurança no eixo mais estruturante da freguesia – Alameda dos Oceanos – pelo que a prioridade foi dada a este eixo.

A partir desta certeza, o objetivo principal foi dissuadir o tráfego de atravessamento de uma via local (que é a Alameda Oceanos) mas estruturante, numa perspetiva de bairro, uma vez que o atravessa quase de uma ponta a outra.

Sabendo que mais de metade do tráfego que circula neste eixo é de atravessamento, oriundo de fora da freguesia, há que dissuadi-lo para as vias que têm capacidade para absorve-lo tendo sido, aliás, projetadas para tal. Assim diz o Plano Diretor Municipal.

Por haver excesso de tráfego numa via que deveria desempenhar funções distribuidoras locais, há excesso de velocidade porque as viagens de origem/ destino não se iniciam nem se esgotam no PN. O objetivo é atravessar o eixo com o mínimo de constrangimentos possíveis. Evita-se a Av. D. João II, evitando assim a espera causada pelo sistema semafórico há muito desregulado, com repercussões óbvias em termos de tempos de espera.

Há excesso de velocidade, aumentam as situações de insegurança pedonal (no atravessamento da via) e viária (os acidentes de viação em locais da própria via cuja segurança é questionável), a avaliar pelo número de acidentes quase diários. Conceptualmente a via está sobredimensionada face à função que deveria desempenhar.

Uma vez que parte do diagnóstico tem que ver com estas questões, o principal objetivo no sentido de inverter este cenário é dissuadir o tráfego de atravessamento para as duas vias que, na envolvente, têm a capacidade e função para tal : D. João II  e Av. Afonso D. Henrique.

A solução apontada pela CML engloba várias ações numa intervenção integrada. A primeira, já concluída, foi o condicionamento do troço central. Já hoje, após alguns meses de funcionamento deste novo esquema de circulação, se fazem sentir os efeitos de diminuição do tráfego neste troço. Outras das ações passará pela revisão do sistema semafórico da Av. D. João II e em simultâneo a implementação de medidas de acalmia de tráfego na Alameda dos Oceanos (de norte a sul), cujo esquema de circulação funcionará com um limite de velocidade de 30km/h.

Para além da diminuição do limite de velocidade, serão sobre elevadas as passadeiras existentes, tornando-as também acessíveis às pessoas de mobilidade condicionada. A implementação de um canal cilclável em cada sentido funciona, por si só, como a melhor medida de acalmia de tráfego, de acordo com os exemplos de boas práticas já experimentadas noutros locais. Torna-se também eficaz o alerta, face à vulnerabilidade dos utilizadores do canal ciclável, perante a proximidade do canal rodoviário.

De resto, os canais cicláveis propostos (com as soluções a implementar ainda a serem revistas) pretendem fechar os já existentes no PN, em “avulso”, criando-se uma rede ciclável contínua e segura, que possibilite o garante da opção bicicleta como uma realidade não só lúdica mas, essencialmente, um modo alternativo (e competitivo) de deslocação no dia-a-dia, uma vez que atravessará longitudinalmente o bairro PN, com interligação com os restantes modos existentes: pedestre, ferroviário e rodoviário.

Exemplo de uma solução de reperfilamento de um eixo viário cujo objetivo claro é a criação de “mais” e melhor espaço público aos utilizadores mais vulneráveis

 

 

http://www.plataformaurbana.cl/archive/2017/05/17/guia-global-de-diseno-de-calles-estrategias-para-transformar-las-calles-en-grandes-lugares/